Pós - Copenhaga

Escrevo este texto ainda antes de ter a estimulante oportunidade de participar, integrado na delegação governamental portuguesa, nos últimos dois dias da cimeira de Copenhaga. Sei que quando esta crónica for publicada no Diário do Sul já serão conhecidos os resultados da Cimeira. Penso que mesmo assim vale a pena arriscar uma reflexão antecipada. Cimeiras como esta valem muito mais pelos seus impactos no futuro do que por aquilo que se obtém de imediato. Independentemente do que na Cimeira ficar adquirido, ela ficará para sempre registada como uma marca de viragem na ordem política e económica mundial.

A sobrevivência e a imagem de um País, depende da forma como chega, bem ou mal preparado, aos seus encontros com a História. Portugal chegou bem preparado à oportunidade histórica de conceber durante a sua Presidência um novo Tratado para a União Europeia (Tratado de Lisboa) e embora com menos impacto e significado relativo, chega também bem preparado para ser um dos países de referência no desenho da ordem económica e política Pós-Copenhaga.

De facto em Copenhaga discute-se antes de mais a forma de combater o aquecimento global e as alterações climáticas, mas subjacente a esse debate está o desenho de novos modelos sustentáveis de organização económica que permitam dar resposta aos anseios de crescimento e emprego que todos os povos partilham.

Portugal está em Copenhaga apoiado em resultados e metas de grande ambição, quer na inclusão de energias limpas no seu pacote de consumo energético, quer na criação de oportunidades de emprego e desenvolvimento industrial associados a essa perspectiva. No horizonte de 2015 as energias renováveis mobilizarão um investimento global superior a 15 000 milhões de Euros em Portugal e criarão mais de 23 000 oportunidades de emprego. Somos já hoje um dos países com maior incorporação de energias renováveis na electricidade que consome (mais de 40%) e em 2020, 31% de toda a energia e 60% da electricidade consumida terão essa origem. Por outro lado, as fortes políticas de eficiência energética em curso, como o Programa Solar Térmico ou os Programas de colocação de lâmpadas eficientes permitirão que continuemos a crescer economicamente aumentando 20% até 2020 a eficiência no consumo de energia. Acresce que Portugal é pioneiro em domínios de grande futuro como as redes de mobilidade eléctrica, permitindo reduzir substancialmente os consumos de combustíveis fósseis e as emissões daí decorrentes no sector dos transportes.

Todas estas apostas mobilizam a investigação dos centros de conhecimento nacionais e a sua cooperação à escala global, fomentando em simultâneo as parcerias entre as universidades e a indústria, atraindo novas fábricas e sectores produtivos e criando emprego qualificado e sustentado.

Ser pioneiro implica um risco. Portugal chega a Copenhaga alinhado com os mais ambiciosos no combate às alterações climáticas e incorporada na rede líder para o desenho duma nova economia global mais justa e viável. Sendo assim o sucesso de Copenhaga é fundamental para o mundo mas é ainda pouco mais importante para nós. Lá se jogam, a nossa qualidade vida mas também a consagração das nossas apostas de desenvolvimento. Desejo que o Pós Copenhaga seja um terreiro fértil para o Portugal que arrisca e inova.

PS: Feliz Natal para todos. Que o primeiro natal Pós Copenhaga seja de aquecimento das emoções e dos sentimentos.
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