Ausência (Passos e a Embraer)





Embora Álvaro Santos Pereira se tenha juntado ao almoço que decorreu no Palácio D. Manuel, o governo fez-se representar na inauguração das Fábricas da Embraer, um dos mais estruturantes investimentos feitos em Portugal neste século por dois Secretários de Estado.



Mais grave do que isso, na semana anterior o governo travou a execução dum conjunto de investimentos rodoviários no Alentejo que foram uma das condições para que o consórcio brasileiro tivesse escolhido o Alentejo e Évora para se localizar e segundo relato do Presidente da Autarquia vários organismos oficiais têm vindo ultimamente a “embicar” com o projecto e com as infra-estruturas que lhe são necessárias, criando pequenas e grandes dificuldades para a sua concretização plena.



Alguns dirão que a Inauguração coincidiu com o debate quinzenal na Assembleia da República. A verdade é que raramente estão todos os Ministros nesse debate quinzenal e que a sua marcação é flexível e tem sempre o assentimento prévio do Governo.



Passos Coelho já sabia da inauguração da Embraer quando deu instruções à sua Secretária de Estado para aceitar o dia 21 de Setembro para a realização do debate. O PS deu mesmo abertura à alteração da data, não por causa da Embraer, mas para permitir que Passos Coelho não faltasse a mais uma importante reunião de Países do Eurogrupo em dificuldades, convocada pelo Primeiro-Ministro italiano Mario Monti.



Mas o nosso Primeiro – Ministro está ausente, da realidade do País, daquilo que de bom se vai fazendo e das alianças europeias para tentar minimizar o impacto da crise das dívidas soberanas.



Se o Primeiro-Ministro e os seus principais Ministros estão ausentes em parte incerta, cabe-nos a nós, sociedade civil, combater a crise e lutar pelo futuro. O Parque Aeronáutico de Évora e o Parque Tecnológico que está associado são duas infra-estruturas cujo sucesso pode mudar a face da nossa terra, atrair gentes e investimentos, dinamizar o comércio e ajudar a Universidade a ultrapassar o garrote financeiro com que vive.



Por isso a “ausência” simbólica duma alta representação do Governo na inauguração das Fábricas da Embraer (saúdo a presença do Secretário de Estado do Empreendedorismo Carlos Oliveira e do Secretário de Estado dos Assuntos Europeus Morais Leitão, que nada têm a ver com a questão aqui colocada) só pode significar para os Eborenses e para os Alentejanos uma convocatória para a nossa presença activa, o nosso apoio e o nosso esforço para que tudo corra bem e os novos investimentos sejam um sucesso.

















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