O "Triunfo dos Coelhos"






Na última reunião plenária do Parlamento Europeu que decorreu em Estrasburgo, entre dezenas de outros relatórios das mais diversas tipologias, foi debatido e votado um relatório de iniciativa da Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural sobre as “normas mínimas de proteção dos coelhos de criação”.



Nas semanas anteriores a este debate recebi na minha caixa de correio muitas centenas de mensagens apelando, com os mais diversos argumentos, ao meu voto favorável no referido relatório. Foi com interesse que as fui lendo, embora pelo seu volume, e nalguns casos repetição de forma, não me tenha sido possível reagir diretamente a cada uma delas.

 

Como procuro fazer sempre, ponderei na minha decisão o que pude ler sobre o tema, incluindo as mensagens recebidas, a opinião do meu grupo político e a opinião do meu colega que acompanha a comissão originária e a valorização que faço das práticas que defendem o bem-estar animal, tendo votado favoravelmente a proposta.



Por que motivo selecionei este episódio da vida parlamentar para o texto desta crónica, quando tantos outros de igual ou maior relevância poderiam ser escolhidos e relatados? Faço-o para refletir sobre cidadania e participação.



A opinião geral sobre as instituições europeias em geral e sobre o Parlamento Europeu em particular é que são instituições que se preocupam pouco com as pessoas e que se perdem em assuntos menores em vez de enfrentarem os grandes problemas e desafios que se colocam aos povos europeus.



O tema dos coelhos é importante para as pessoas que têm sensibilidade para a proteção dos animais e não é um tema menor. Relevante não é saber porque é que tanta gente se interessou pelo tema dos coelhos, mas antes, porque é que as pessoas não participam de igual maneira quando se discutem temas como o acesso à energia ou aos medicamentos, a proteção dos direitos humanos ou os temas da revolução digital e da nova economia, para citar só alguns exemplos.

 

Na mesma sessão parlamentar, pude intervir num debate sobre outro relatório de iniciativa, referente às novas formas de participação cívica e política que as tecnologias permitem pôr em prática, no quadro da designada democracia eletrónica.



As tecnologias são uma oportunidade, desde que acompanhadas por medidas de qualificação e democratização do acesso, para aproximar os eleitores dos eleitos e robustecer a democracia participativa.



 Os coelhos tiveram em sua defesa uma comunidade informada e tecnologicamente incluída. Saudemos o seu “triunfo” e trabalhemos para cada vez mais temas suscitem uma forte mobilização e participação, melhorando a qualidade das decisões e o compromisso permanente entre eleitos e eleitores.


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