Bons Ventos - A mudança politica na UE




 

Atribui-se a Séneca a constatação sábia de que  “Só tem bons ventos quem sabe qual o Porto a que se dirige”. A Nau Europeia já muito fragilizada perdeu-se no mar encarapelado da escolha radical e populista dos Gregos, mas pouco a pouco vai dando sinais de se dirigir a bom Porto. Ao Porto da Europa económica e social preconizada pelos Partidos da esquerda moderada da família dos Socialistas e Democratas (S&D).

 

Na noite das eleições gregas uma enorme comoção e alegria invadiu todos aqueles, que como eu, descreem que a austeridade e o empobrecimento sejam uma solução para a crise europeia e uma opção para o futuro coletivo da União.

 

 O acordar na manhã seguinte foi menos festivo. Uma aliança dos vencedores do pleito democrático na Grécia com os nacionalistas de direita e um conjunto de medidas populistas estritamente provocatórias para o Eurogrupo, fizeram temer o pior.

 

Passadas as primeiras semanas duma dialética saudável e necessária para acordar as Instituições Europeias, todos os sinais indicam que a nau se encaminha para bom Porto. Um Porto que foi sendo pacientemente construído pelos socialistas e democratas europeus, defensores duma indexação do pagamento das dívidas ao crescimento, do regresso ao Investimento Estrutura, da Flexibilidade Orçamental, do completar da União Económica e Monetária, da coresponsabilização da banca através da União Bancária e do reforço do papel do Banco Central Europeu.

 

Depois da mudança política na Grécia nada voltará a ser igual, por muito que em Portugal os saudosistas da punição continuem de faca em riste para fazerem a única coisa que sabem. Cortar salários, investimentos sociais, direitos legítimos, sonhos e esperanças.

 

Com uma lucidez que sempre lhe reconheci (e que me levou a votar favoravelmente na sua eleição para Presidente da Comissão Europeia) Jean Claude Juncker reconheceu a insanidade do tratamento dado aos povos da Irlanda, Portugal e Grécia. Todos louvaram a humildade intelectual do então presidente do Eurogrupo. Todos não! Passos Coelho e Maria Luís acham que ainda foi pouco.

 

Estes episódios não nos devem no entanto afastar do essencial. A Europa já não é o que era. Agora a receita do crescimento sustentável está cada vez mais no centro da resposta à crise europeia, substituindo a falhada receita liberal da austeridade empobrecedora.  

 

O PS ajudou nos últimos anos a afirmar na União Europeia a política com que vai governar a partir de Outubro. O povo diz que “Ele” não dorme, e se o povo o diz assim será, porque em democracia o povo é quem mais ordena!

     
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