O Estado do Alentejo



Debateu-se esta semana no parlamento o estado da Nação. Um estado depauperado, anémico, tolhido por uma política de empobrecimento sistemático que não apenas não respondeu a crise orçamental como a agravou e enfraqueceu as defesas do Pais para lhe reagir com sucesso.
E o estado do Alentejo? Como não poderia deixar de ser o estado da nossa terra reflecte o estado da nação e em termos mais latos, o estado da Europa, em particular da Europa do Sul, com a agravante de termos um tecido social e económico mais débil e por isso mesmo mais exposto ao preço das políticas erradas.
Não terei espaço neste texto para reflectir com os leitores sobre todos os problemas que temos. Escolho por isso dois temas. A falta de liquidez na economia e a ausência total de aposta das políticas públicas no desenvolvimento regional.
Gosto de formar as minhas opiniões a partir do conhecimento do Pais real. Tenho falado com muita gente de todas as áreas e sectores. O primeiro problema que todos identificam e a falta de circulação de massa monetária. As empresas e os particulares não recebem o que lhe devem e não podem honrar os seus compromissos. Isto gera um ciclo vicioso que esta a matar a economia local, regional e nacional.

Portugal tem que conseguir reformular as condições da divida. Mais tempo e menos serviço de juros, canalizando todo o remanescente para injectar liquidez na economia. Não faz sentido e não se compreende como o governo não faz deste o seu primeiro objectivo?

O segundo problema e a total falta de impulso das politicas publicas. Com as Câmaras Municipais com os cofres vazios, o Estado Central desinvestiu totalmente na nossa terra.
Lanço sobre isto um desafio aos leitores desta crónica. Lembram-se de algum investimento público na área social ou empresarial que tenha sido decidido e concretizado pelo actual governo? Não me refiro aqueles cujo andamento já não permitiu travar. Refiro-me a novas decisões. Decisões com consequências e não palavras. Se se lembram tem a memoria mais fresca (ou menos selectiva) que a minha. Eu sinceramente não me lembro.
Não há dinheiro nem vontade política. Assim só por milagre o estado do Alentejo poderia ser melhor. E também não há milagres para além daqueles que os alentejanos fazem todos os dias para sobreviver!













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