Futuro





Teria feito algum sentido que um Grande Partido democrático como o Partido Socialista (PS) se tivesse dividido e fracturado não por causa dum salutar confronto de visões sobre o futuro, mas por causa de diferentes leituras sobre o passado?



Pessoalmente nunca achei que isso fizesse qualquer sentido e dei o melhor de mim mesmo para que não acontecesse. Felizmente não aconteceu.



António José Seguro com o contributo dos mais experientes dirigentes do Partido, incluindo elementos da sua direção e críticos da sua direção, apresentou à Comissão Nacional que decorreu dia 10 em Coimbra, um documento de orientação estratégica que foi aprovado apenas com duas abstenções. A lucidez e a prioridade dada ao interesse das pessoas, imperaram sobre os jogos de sub-poder que tendem a contaminar os Partidos quando na oposição.



Ficar preso no passado é a pior forma de homenagear esse passado. O PS é um partido com muitas razões para se orgulhar do seu passado, seja o seu passado histórico, seja o seu passado mais recente.



É evidente que todos os governos cometem erros, mas os maiores avanços civilizacionais da nossa democracia têm a marca forte do PS. O Serviço Nacional de Saúde, o investimento na escola pública inclusiva, o desenvolvimento das redes sociais, as novas acessibilidades que aproximaram o interior do litoral e deram uma nova centralidade ao País, constituem uma paleta de excelentes exemplos do Papel do PS no desenvolvimento de Portugal.



O último ciclo de governação do PS na qual tive a honra de participar activamente foi também um ciclo muito positivo em domínios tão díspares como as novas tecnologias, as energias renováveis, as parcerias científicas, as qualificações, a modernização da administração pública, as redes competitivas, o desenvolvimento das redes de emergência e de cuidados continuados e a conquista de novos mercados para as nossas empresas e produtos.



Foi também o tempo histórico em que Portugal enfrentou a maior crise global de que há memória. Uma crise que foi combatida com determinação mas que terá sido algo subestimada na sua profundidade e duração.



“Prognósticos” no fim do jogo são sempre mais fáceis, mas não é por isso que não devem ser feitos. Pena é que o governo em funções não tenha aprendido nada com as dificuldades do governo anterior e tenha vindo a delapidar a base económica, social e política para enfrentarmos a crise.



Portugal precisa de um outro futuro. Passos e Portas já mostraram a sua incapacidade de mobilizar os portugueses para os novos desafios. António José Seguro conseguiu agora uma nova solidez na base política da sua proposta para o futuro. Uma base inclusiva interna e externamente. Estão de parabéns todos os que a tornaram possível.















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