O Quarto D (Pela Dignidade)






 

Assinala-se por estes dias o quadragésimo primeiro aniversário da Revolução de Abril. Em Novembro fará 40 anos que a democracia se consolidou em Portugal. Quarenta anos que se iniciaram com um programa forte de mobilização traduzido nos 3 D de Democracia, Desenvolvimento e Descolonização.

 

Sobre cada um destes D já muito se escreveu. Cada um deles (o D de Descolonização evoluiu alguns anos depois para outro D mal amado, o D da Descentralização) está em permanente avaliação e todos já viveram melhores dias.

 

 Os D de Abril estão hoje ameaçados pela pobreza e pela desigualdade. Em sentido genérico somos uma democracia, desenvolvida e aberta, mas precisamos com urgência de cuidar de um novo D que pode pôr em causa tudo o que conquistámos. Temos que garantir a Dignidade das pessoas e a sua inclusão em comunidades e projetos de vida com sentido.

 

Tinha 14 anos quando aconteceu Abril. O que me recordo do tempo anterior é da névoa e do medo com que tudo era dito ou comentado. Das críticas ao regime ditas como sussurros, das entrelinhas, das desesperanças, da mesquinhez. É essa névoa que o frentismo austero das públicas virtudes e vícios privados que é marca de água de quem nos governa, voltou a estender sobre a nossa terra. É essa névoa que temos que romper com credibilidade e determinação.

 

A revolução abriu-nos as portas da integração europeia. Uma Europa hoje amarrada aos modelos em que as finanças se sobrepõem à felicidade a o bem-estar das pessoas. É nessa Europa que temos que lutar pelo quarto D de Abril. Pela Dignidade da soberania solidária, do combate à pobreza, do crescimento verde, inteligente e inclusivo.    

 

Não podemos ser submissos como é este Governo. Não podemos ser omissos como tem sido o Governo Grego na sua incapacidade de encontrar uma resposta de mudança no quadro duma leitura soberana dos Tratados. Temos que ser dignos. Dignos do nosso passado e do futuro que queremos. Dignos em nós mesmos.

 

É a garantia da Dignidade a medida mais certa para avaliar por onde mudar o ciclo nas próximas eleições e desse ponto de vista o quadro macroeconómico que o PS adotou como base para elaborar o seu programa é um bom exemplo.

 

 Fazer política para e com as pessoas para cumprir as contas, porque para acertar contas com as pessoas já nos bastaram estes quatro anos de liberalismo murcho.   

 

 

 
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