Hibernação

Já todos percebemos a táctica e a estratégia da nova liderança do PSD para tentar enfrentar com êxito o próximo ciclo eleitoral. Serão a táctica e a estratégia da hibernação.

A hibernação é uma prática de sobrevivência a que algumas espécies animais recorrem em circunstâncias de grande stress e risco para a vida, quando os seus habitats gelam, os alimentos escasseiam e qualquer gasto desnecessário de energia ou de reservas vitais lhe pode ser fatal. Hibernando durante os tempos difíceis, os animais que recorrem a este mecanismo, despertam com a chegada da primavera para mais um ciclo de vida e reprodução.

O cenário que povoa a cabeça da Dra. Ferreira Leite e do seu Guru inspirador Pacheco Pereira não é muito diferente do que é exemplificado por este ciclo da natureza. O País vai atravessar um momento de profundas dificuldades e o seu discurso será “nada a fazer”, “nada a dizer” … “não há dinheiro para nada” … “não estamos cá” … “perguntem ao Sócrates porque nós hibernámos”. 

Talvez a táctica e a estratégia da hibernação, que nada acrescentam para o País e para a solução dos seus problemas, possa vir a pagar dividendos eleitorais. Mas também pode acontecer que Pacheco e Manuela tenham uma grande surpresa, não necessariamente agradável.

Voltemos ao mundo animal para percebermos melhor as coisas dos Homens. Quando uma espécie hiberna, faz isso na expectativa de que ao acordar alguns meses mais tarde encontrará o seu mundo mais ou menos igual. Desliga-se do que poderá acontecer ao seu habitat. Se nenhuma força externa o destruir acordará pujante e feliz, mas se alguma coisa acontecer ver-se-á impotente para evitar o descalabro e a ameaça.

A nova liderança do PSD decidiu hibernar. Vai fechar os olhos durante a borrasca para apenas os reabrir nas vésperas das eleições europeias. Nessa altura encontrará um cenário político necessariamente diferente que lhe pode ser mais favorável, mas que também se pode ter invertido.

 Em qualquer dos casos será um cenário que não terá tido a componente mais nobre da participação e do combate político por parte do PSD, que será visto pelos portugueses como um fantasma ou quanto muito como um abutre que sobrevoou a crise para pousar apenas quando sentir a presa fraca ou quando o calendário eleitoral não lhe der alternativa.

Reconheço que esta crónica está um pouco zoológica. Muitas das estratégias que a espécie humana utiliza para sobreviver no quotidiano reproduzem a imensa sabedoria acumulada na pangeia e na evolução dos ecossistemas de que fazemos parte. Um PSD mais telúrico é um PSD mais credível, como foram credíveis os dinossauros e outras espécies que o tempo apagou. Veremos em Outubro de 2009 se os portugueses preferem quem protege a credibilidade escondendo-se até passar a tempestade, ou quem ousa enfrentá-la de peito aberto. 


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