Voto Fácil (texto escrito antes das Europeias 2014 e publicado hoje no DS)



Voto Fácil



Escrevo esta crónica em plena campanha eleitoral para as eleições europeias. Ela será publicada já depois de decorrido o ato eleitoral. No momento em que escrevo a expetativa prevalecente é que a abstenção poderá atingir um valor muito alto. Um dado preocupante dada a grande importância destas eleições no plano europeu e também no plano nacional.



Entre as pessoas com que me cruzo e que me dizem que não vão votar há 3 categorias bem diferenciadas. Os desiludidos que acham que as eleições não resolvem nada, os desleixados que acham que têm mais que fazer do que votar e os impossibilitados que gostariam muito de votar mas estão recenseados muito longe do local onde agora residem e não têm meios nem condições para se deslocarem.



Para os primeiros e os segundos vou procurando exercer a mais forte pedagogia democrática que consigo. Há coisas, e a democracia é uma delas, que só tendemos a valorizar quando as perdemos. Não podemos correr esse risco.



Mas ao que mais me preocupa são os terceiros. Os jovens que estudaram em Lisboa, Porto ou Coimbra e lá ficaram recenseados embora tenham voltado às regiões de origem. Os reformados que continuam recenseados em Lisboa ou na sua cintura industrial embora já tenham voltado ao seu Alentejo. Os muitos emigrantes que encontrei na minha visita ao Luxemburgo e que continuam recenseados na sua terra natal.



Sou um incondicional apoiante do voto eletrónico presencial. Não há hoje nenhuma razão tecnológica, política ou jurídica que justifique que um cidadão munido do seu cartão do cidadão e reconhecido presencialmente por uma assembleia de voto não possa votar eletronicamente a partir da mesa que estiver para ele mais acessível no território nacional ou nas embaixadas e consulados.



Tenho algumas dúvidas sobre os aspetos positivos do voto obrigatório que já é praticado em muitos Países. O voto obrigatório permite aos cidadãos votarem em branco se não se reconhecerem nas ofertas democráticas, mas constitui um dever mínimo de cidadania.



Reconheço no entanto que enquanto votar não for um processo fácil para todos é muito difícil evoluir para um sistema de voto obrigatório. Por isso sublinho. Montar um sistema de voto presencial eletrónico deveria ser uma prioridade da nossa democracia.



Oxalá ontem tenha havido uma surpreendente afluência às urnas e estas minhas preocupações tenham perdido parte da sua oportunidade. Seria uma excelente notícia que no entanto pelo que vi na campanha até ao momento em que escrevo esta crónica, não considero muito provável.





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