Algo com Ritmo (Por um Alentejo melhor)

Vivemos um tempo em que tudo se parece poder resolver com algoritmos mais ou menos inteligentes e mais ou menos capazes de aprender de forma automática, capturando e conjugando dados e atribuindo-lhe significados conformes com os objetivos para que são criados.

É óbvio que na aplicação da estratégia de desenvolvimento para o Alentejo na década que se avizinha se vão usar também as mais modernas tecnologias e os algoritmos não deixarão de estar presentes, mas o que vamos precisar mesmo é de algo com ritmo.

Algo com ritmo, significa uma estratégia mobilizadora, colaborativa, intersectorial, cruzando os recursos dos diversos envelopes financeiros para tornar o território ambientalmente, economicamente e socialmente sustentável e atrativo para a fixação das pessoas necessárias para o estruturar rumo ao desenvolvimento e à convergência
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Algo com ritmo significa também que todos têm que contribuir, mas os contributos devem ser adequados à especificidade de cada sector económico, de cada área institucional e de cada espaço territorial em concreto, sem perder de vista a sua articulação e o aproveitamento de todas as sinergias que daí possam decorrer.

Algo com ritmo significa finalmente que a dinâmica expectável para os territórios urbanos, para os territórios semiurbanos e para os territórios rurais tem que ser diferente mas confluente. Os ajustamentos internos devem ser feitos o menos possível numa lógica de enfraquecimento de uns territórios em detrimento de outros e o mais possível através dum fortalecimento conjunto para fixar recursos endógenos e atrair recursos exógenos.

Temos que ser capazes de montar uma rede de cooperação com malha suficientemente larga para não prender ninguém e com malha suficientemente fina para criarmos a massa crítica necessária de recursos e pessoas para sermos capazes de competir valorizando o nosso potencial paisagístico, patrimonial, empresarial e institucional. A identidade, o conhecimento e a sabedoria que nos torna únicos e valiosos.

O Alentejo, ainda que de forma desigual tem vindo a progredir de forma muito relevante desde a manhã libertadora do 25 de abril. Os apoios europeus e a prioridade que lhe foi dada pelos governos com uma matriz progressista e solidária permitiram que tivessem sido dados passos relevantes. Vêm aí mais uns milhões de euros e alguns importantes projetos estruturantes. Temos que os aproveitar ainda com mais genica e eficácia. Com os algoritmos e com muito ritmo.

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