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Nostalgia e Futuro (sobre as eleições antecipadas no Reino Unido)




Com a nostalgia do passado não se ganha o futuro. Esta ideia simples é aplicável às múltiplas escolhas democráticas com grande impacto que vão ocorrer nos próximos meses na União Europeia, e às quais agora se somou a decisão da Primeira-Ministra Britânica Theresa May de convocar eleições antecipadas no Reino Unido para dia 8 de junho deste ano.

A maioria dos estudos pós-eleitorais que foram feitos sobre a tangencial decisão dos ingleses de deixarem a União Europeia, mostrou que nos votos que deram legitimidade democrática   à saída, se combinaram várias nostalgias.

Em primeiro lugar contou a nostalgia dos tempos imperiais em que o peso do Reino Unido no mundo era tal que conseguia impor parte das regras comerciais e políticas.

 A esta somou-se a nostalgia da economia da era industrial em que o emprego tinha um perfil diferente e tendia a praticar-se no contexto de carreiras mais ou menos lineares desenvolvidas ao longo da vida.

Finalmente, contou também a nostalgia de uma sociedade fechada ( e percecionada como mais segura), em que o acesso e o peso do que vinha de fora, fossem pessoas, fossem bens, mercadorias ou serviços, era menos marcante no quotidiano.

Os jovens e as camadas mais cosmopolitas da sociedade pronunciaram-se maioritariamente contra a saída do Reino Unido da UE, uns porque são os maiores ganhadores da integração económica e da globalização e os outros, os mais novos, porque percebem que é nesse contexto que têm que conquistar o seu espaço, lutar pela transformação das regras que conduzem ao aumento brutal das desigualdades e desenhar um mundo à altura dos seus sonhos e ambições.

A decisão de Theresa May, face às dificuldades internas, sobretudo no seio do seu próprio partido, reabriu implicitamente todo o processo do Brexit.

Era esta a grande oportunidade para travar um enorme combate contra a nostalgia e a favor do futuro, usando o peso do Reino Unido, não para partir sozinho para a aventura global, mas para reforçar a União Europeia e obriga-la a dar respostas convincentes aos que temem pela sua perda de influência na economia global, pela erosão das oportunidades de realização profissional e pela segurança numa sociedade tolerante e aberta.

Infelizmente, olhando para a proposta política dos trabalhistas ingleses, não obstante alguma capacidade de atração junto dos jovens, era baseia-se mais no recuperar da nostalgia do passado, ainda que com uma marca ideológica progressista, do que na vontade determinada de desenhar um projeto de futuro alternativo, que poderia retomar a ideia da participação do Reino Unido num projeto europeu revigorado para responder aos principais problemas, receios e medos que levaram ao voto anterior.

A nostalgia do passado é inimiga da ação concreta para conseguirmos um futuro melhor para todos. Parece-me que esta ideia simples vai marcar o processo eleitoral no Reino Unido. Oxalá esteja enganado.  




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