A Questão Política




Na crónica semanal que Francisco Assis deu à estampa no jornal Público de 9 de Maio, o reconhecido e brilhante parlamentar socialista e um dos mais profundos filósofos políticos em Portugal constata a evidência de ter sido com uma direção política pragmática liderada por Paulo Portas que o CDS/PP se conseguiu aproximar mais do sonho de Freitas do Amaral, Lucas Pires, Adriano Moreira ou Ribeiro e Castro, e colocar-se como a charneira da governabilidade, entre um PS posicionado solidamente no espaço da modernidade de centro e de esquerda e um PSD atirado para a direita radical do liberalismo económico sem regras nem valores sociais relevantes.

 

Este curioso movimento político do hábil líder do CDS/PP tem sido profundamente facilitado pela esquelética dimensão política da atual direção do PSD que se deixou amarrar a um homem providencial e assumidamente “não eleito” e a uma cartilha económica importada e desvalida.

 

Mas esta dinâmica de elevado risco do CDS/PP, tem no plano prático um outro aliado forte. Não me refiro ao PCP porque isso não seria nada de novo. O PCP retira em média 10% do eleitorado do arco da governabilidade e é uma espécie de “handicap” democrático (e democraticamente legítimo) com que a esquerda em Portugal tem que disputar sempre o poder em Portugal.

 

Refiro-me antes ao Bloco de Esquerda. Não quero interferir nas dinâmicas internas do BE que todos sabemos serem complexas e filhas das diferentes famílias políticas que se conglomeraram mas nunca verdadeiramente se integraram. Limito-me à avaliação à superfície. No seu último Congresso venceu a tese da não cooperação com o PS, excepto se realizado o “milagre dos pães” do PCP também o querer fazer em parceria. Com esta decisão o handicap virtual da esquerda passa de 10 para 15 a 20%, como o demonstra a análise dos últimos estudos de opinião.

 

Estou convencido que no contexto de um pleito eleitoral o PS será capaz de ultrapassar esse handicap e dar ao centro-esquerda a maioria absoluta necessária para governar. Mas se tal não se acontecer e o CDS/PP se tiver conseguido consolidar como charneira da governabilidade isso será mais produto da inércia acomodada do Bloco de Esquerda do que de qualquer escolha primária do PS, enquanto grande Partido da modernidade e do progresso em Portugal.

 

 

  

 

 
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