Analistas e Politicos



 

A complexidade do mundo em que vivemos recomenda que os políticos tenham uma sólida formação cultural e técnica e que os técnicos tenham cada vez mais alguma sensibilidade política. Esta constatação não autoriza no entanto a que os políticos se refugiem no terreno dos técnicos, quando os tempos são difíceis e exigem decisões corajosas de transformação.

 

Arrepia-me ver responsáveis políticos amarrados e impotentes perante as cenarizações técnicas. Esses exercícios devem ser um ponto de partida e não um ponto de chegada para o exercício com nobreza da função política, baseada na decisão e na ação.

 

Perante um cenário difícil e contrário às suas convicções e valores, o papel do político não pode ser apenas lamentar e denunciar. Tem que partir para o ação transformadora e mudar os pressupostos que dão origem a esse cenário.

 

O que distingue hoje a meu ver a boa da má moeda na política (excluindo a política dos interesses que nem o nome de política merece) é a atitude de compor e gerir conjunturalmente a realidade versus a coragem de a transformar quando ela é negativa, injusta e iníqua.  

 

Têm sido muitos os técnicos e os políticos que têm vindo constatar que as nossas contas públicas ainda não são sustentáveis e que os portugueses terão que continuar a empobrecer.

 

Esse é um sinal de fracasso absoluto da política do Governo, mas constitui ao mesmo tempo um desafio fundamental para a oposição e em particular para o Partido Socialista, que representa a alternativa de esperança para Portugal e para os portugueses.

 

No Contrato de Confiança com que o PS se apresentará às próximas eleições europeias têm que ser bem evidentes as ações sobre a raiz dos problemas. O sentido transformador. A determinação em lutar no patamar europeu e no patamar nacional contra o empobrecimento do País, mudando políticas e escolhas, apostando numa economia competitiva e num posicionamento de Portugal como um País Global prestador de serviços e produtor de tecnologias limpas e integradoras.

 

Claro que os Partidos têm que ouvir os técnicos. Mas o seu pessimismo não pode ser uma desculpa. Tem que ser antes uma motivação extra para a ação transformadora.

Claro que eu também não sou analista. Sou um dos responsáveis políticos que tem por obrigação fazer acontecer o que aqui defendo. Garanto-vos que luto por isso todos os dias e tenho grande convicção que a alternativa em Portugal está robusta e preparada para mudar a sorte do País no próximo ciclo político.     
Comentários
Ver artigos anteriores...