Incubar não basta

Évora está muito bem servida de estruturas de incubação que beneficiam da existência de uma Universidade com tradição, múltiplas competências pedagógicas e científicas e empresas de referência em todas as áreas de atividade. 

Segundo noticiou o Diário do Sul, na sequência dumas jornadas de desenvolvimento económico promovidas pela autarquia, o seu Presidente visitou o Centro de Incubação e Aceleração de Évora da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), o centro de Negócios do Núcleo de Empresários da Região de Évora (NERE), o Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT) e a EvoraTechSaúdo a iniciativa.

Estive diretamente associado à criação de algumas destas infraestruturas e é comsatisfação que constato que a sua capacidade está a ser plenamente utilizada, comprovando o vigor da rede local de conhecimento, tecnologia e inovação.

São também conhecidos os pontos que impedem um maior fortalecimento da rede, designadamente a insuficiência de recursos humanos especializados e operacionais e a escassez de habitação disponível com preços acessíveis no mercado de arrendamento.

Estas fragilidades convocam todos para serem mitigadas. Preocupa-me por isso queperante as oportunidades de progresso, a Câmara Municipal de Évora em vez de liderar uma coligação de esforços para encontrar soluções, use pela voz do seu Presidente o mantra habitual de canalizar para o poder central a responsabilidade total pelas soluções.

Esta atitude não é específica deste caso, quer na autarquia de Évora quer noutras autarquias da região lideradas pela CDU. Tem sido assim na recusa das parcerias para a recuperação do parque escolar, na recusa cega das propostas de descentralização de competências e na falta de comparência em processos de candidatura a infraestruturas importantes para os Concelhos, mas em que as autarquias m de participar no modelo de cofinanciamento da parcela nacional.

Não desejo que as coisas corram mal em nenhuma autarquia, independentemente da opção política de quem legitimamente as lidera, porque o que corre mal impacta diretamente na vida dos meus concidadãos, mas lamento atitudes que nos coartam as expetativas de um futuro melhor.

Voltando ao caso da Câmara Municipal de Évora, estando ao que sabemos em incubação lenta a candidatura da cidade a Capital Europeia da Cultura 2027, esse processo seria uma extraordinária oportunidade para dinamizar e colocar a rede de conhecimento, inovação e tecnologia num outro patamar. Incubar não basta. É preciso compromisso e envolvimento, com o Município a dar o exemplo em vez de chutar para cima.   

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