Europa Verde (Publicado Originalmente na Revista Frontline)

A União Europeia é a região do globo mais dependente da importação de combustíveis fósseis e da produção de electricidade com base em energia nuclear. É por isso também a região mais afectada pelo choque dos preços do crude e pelos impactos do acidente nuclear verificado no Japão.

Estes acontecimentos ocorrem num tempo em que a União Europeia tem que tomar decisões urgentes e estruturais sobre a sua politica energética. O terceiro pacote da energia regulamenta de forma mais abrangente o mercado interno da energia, ao mesmo tempo que a Estratégia Europa 2020 estabelece metas ambiciosas no pacote energia clima e que um novo plano de infra-estruturas foi aprovado e tem que ser concretizado.

É este pois o tempo certo para tomar decisões estruturais que em nome do desenvolvimento sustentável, do crescimento e do emprego, permitam a modernização da União Europeia e façam dela um espaço de prosperidade e sustentabilidade – uma Europa Verde.

Essas decisões implicam apostas numa economia de baixo carbono, em processos industriais de nova geração e na construção duma nova rede de interconexões que façam da UE a líder global da nova era da energia.

Em primeiro ligar, sem abandonar o nuclear e o carvão que são fontes maduras e que podem financiar o seu próprio desenvolvimento (nova geração de centrais nucleares e sequestro de carbono) é preciso pôr todo o esforço e todo o financiamento disponível na investigação e desenvolvimento das energias renováveis que aproveitam a água, o vento, o sol, a biomassa e a geotermia.

Em segundo ligar é preciso apostar tudo na eficiência energética, desenvolvendo novas soluções, criando indústrias e empregos e internacionalizando soluções para o mercado global.

Finalmente é preciso construir sem hesitações a rede de auto-estradas da energia, que permitam uma circulação fácil e uma interacção benéfica com outras regiões do globo.

A agenda de mudança para uma Europa Verde aqui enunciada parece demasiado simplista para ter sucesso. No entanto, em tempos de complexidade são as agendas simples e focadas que fazem a diferença. Esta pode ser uma delas. Eu acredito que é mesmo a mais importante.
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