A Europa Aprendeu Alguma Coisa?



 
Nos últimos meses a União Europeia foi sujeita a enormes abanões que só não se notaram mais devido à aparente letargia de fim de ciclo em que vai sobrevivendo.
 
 A quase inexistência política da Europa nos conflitos da Síria e da Crimeia, a dificuldade em combater as tendências deflacionistas e o cartão amarelo forte que os eleitores lhe mostraram nas eleições para o Parlamento Europeu (com a abstenção e a subida do voto anti europeu) são razões mais do que suficientes para podermos acreditar que a Europa necessita de iniciar um novo ciclo, na gestão das instituições, na ligação com os cidadãos e na escolha das políticas.
 
Não sou cético por natureza, mas a experiência de lidar há tantos anos com as questões europeias fizeram-me adotar um prudente “ver para crer” nas coisas que têm a ver com o nosso projeto comum.
 
Há uma coisa que já vi e que me dá alguma esperança de que as coisas possam estar a começar a mudar. O Parlamento Europeu organiza-se em Comissões Especializadas. Diz-me quem sabe, que era tradicional os maiores grupos políticos baterem-se para presidir às comissões que se debruçam sobre as questões económicas e orçamentais.
 
Pois desta vez tenho assistido a uma disputa forte pela presidência dos temas da indústria, da investigação científica e da energia (onde eu próprio aliás me vou tentar envolver prioritariamente em complemento com os temas do ambiente).
 
Será que a União Europeia já aprendeu que é na economia real, na indústria inovadora e limpa e na liderança energética, e não em tratados nominais que asfixiam os povos, que pode estar o caminho para voltar a recuperar o seu papel de referência à escala global?
 
Pelo que vejo no Parlamento Europeu, sinto que pelo menos aqueles que tiveram que se sujeitar ao voto popular e ouvir diretamente as pessoas já aprenderam alguma coisa. Terá isso repassado para as estruturas tecnocráticas que ainda têm o peso fundamental no processo de decisão europeia? Tomarão os Primeiros-ministros (O Conselho) o partido do Parlamento ou continuarão repousados numa estrutura de funcionários que parecem escolhidos sobretudo com o critério de não lhes fazerem sombra?
 
Nos próximos dias tudo isto terá resposta, ou pelo menos um indício de resposta. Vale a pena estar atento e desejar que a Europa tenha aprendido alguma coisa.    
 
 
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