Renováveis




 
Num dos muitos contatos que como Membro Efetivo da Comissão de Indústria, Investigação e Energia do Parlamento Europeu vou mantendo com os diversos grupos de interesse, estive recentemente num encontro com a Associação Sueca das Indústrias Químicas. Há alguns meses visitei o Pólo Químico de Estarreja e reuni com representantes da Indústria Química portuguesa.  Estas indústrias são fortemente intensivas em energia e os elevados custos da energia na Europa estão a matar a sua competitividade. Acresce que aos custos diretos da energia se somam os custos de  compensação pelas emissões de carbono que resultam desta atividade. 

A indústria química é o sintoma mais agudo de um problema real. No domínio industrial a União Europeia tem que enfrentar dois desafios para evitar a deslocalização dos centros de criação de riqueza e emprego.

Por um lado tem que disponibilizar preços competitivos na energia para a indústria e por outro lado tem que evitar o "dumping" ambiental que outras regiões praticam.  

No Parlamento Europeu está neste momento em estudo a proposta de um mecanismo de taxa compensação a aplicar a todos os produtos importados para a União Europeia, provenientes de Países com padrões de controlo de emissões menos rigorosas. É um modelo justo mas muito difícil de aplicar. Melhor será se for possível aprovar normas globais obrigatórias na próxima Cimeira do Clima de  Paris (COP21).

A questão do custo base da energia é mais difícil de resolver dado que a Europa não é autónoma na produção de energia e por isso tem uma capacidade reduzida de controlo mercado global da energia.

Na reunião com a indústria sueca, foi referido que no documento da Comissão Europeia que lança a União da Energia são referidas  57 vezes as Energias Renováveis e apenas duas vezes a Competitividade. Como tive oportunidade de dizer aos meus interlocutores, o problema, ao contrário do que eles pareciam insinuar, não resulta do facto do documento falar 57 vezes das energias renováveis. Errado é só referir duas vezes a competitividade.

O que a União Europeia precisa é de definir uma estratégia de competitividade com base na energia que pode produzir no seu território e nas tecnologias de eficiência aí desenvolvidas. Este, e não qualquer retrocesso protecionista, é a meu ver o caminho para assegurar a competitividade da economia europeia num novo quadro global mais sustentável e amigo das pessoas e do planeta.



 
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