Vacina Social

A corrida para a validação de uma vacina que nos proteja deste Coronavírus e de todos os outros da mesma família é neste momento o maior projeto medico e científico à escala global. Ao que se sabe,quando escrevo este texto, e certamente não se sabe tudo, quase uma centena de protocolos de desenvolvimento estão em curso um pouco por todo o mundo, sete estão em estado avançado, e dois já em fase de testes em humanos. 

Há quem afirme que no Outono teremos a vacina disponível e até ao final do ano ela terá chegado a todos os que dela precisam. Espero que se confirme este cenário ou qualquer outro que seja ainda melhor, porque bem precisamos.

O COVID19 não se limitou a infetar pessoas. De forma indireta infetou também a sociedade em que vivemos, já muito enfraquecida, pela poluição, pelas desigualdades, pelas alterações climáticas e por outros males do progresso sem sustentabilidade.

Ao abanar a sociedade em que vivemos, a pandemia exigiu uma resposta coordenada cuja eficácia final anda é difícil de aquilatar. Se não for letal para a humanidade, e acredito que não o será, constituirá uma poderosa vacina que nos obrigará a reagir criando anticorpos para erradicarmos a perturbação e seguirmos em frente.

Se as vacinas contra o vírus têm uma complexidade técnica que obriga a investir avultadas somas e os melhores cérebros e equipamentos na sua descoberta, a vacina contra os males sociais e económicos é mais fácil de descrever, mas ainda mais difícil de aplicar

Não faltam manifestos, livros, manuais e programas para erradicar a pobreza, reduzir as emissões, melhorar as qualificações, promover a economia circular, usar as tecnologias digitais para gerir com mais racionalidade os recursos, fomentar a transparência, combater a corrupção, diminuir as desigualdades, proteger a biodiversidade e tornar o mundo melhor. A vacina existe, não tem é havido, na maior parte das zonas do globo, condições para a aplicar.

Há muitos autores que consideram que o choque do COVID19 vai criar as condições para que finalmente a humanidade se reconcilie com o planeta e consigo mesma, gerando o efeito benéfico de uma vacina contra os sinais de uma extinção em massa (A sexta extinção, como é referida em diversos livros e artigos)

Sou naturalmente otimista, mas a certeza de que isso acontecerá. Os principais anticorpos somos nós, as nossas instituições, as escolhas que fazemos e a forma como nos organizamos. Se ficarmos mais fortes e lúcidos, então teremos ficado vacinados.      
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