Primárias - Uma primeira abordagem





Tenho absoluta consciência que não está criado o ambiente para avaliar o mérito e o demérito da proposta inovadora do PS em instituir primárias para a escolha do candidato a Primeiro-Ministro, dissociando essa proposta do debate interno em torno da liderança.



Faço o meu exercício ciente de que muitos verão na minha defesa da oportunidade das primárias uma escolha oportunista.



Refleti muito sobre o tema e tentarei explicar, numa primeira abordagem,  porque para mim não o é, e porque considero que ela a aplicar-se beneficiará qualquer que venha a ser o próximo líder do Partido Socialista.



O PS ganhou as Eleições Europeias em Portugal, teve o terceiro melhor resultado dos Partidos Socialistas e Social-Democratas na Europa e ajudou a infligir à coligação de direita uma derrota avassaladora. No entanto o resultado percentual obtido esteve abaixo das expetativas.



Terão havido certamente muitas variáveis que terão contribuído para o resultado. Uma delas foi transversal a todos os Partidos Institucionais, com a exceção fácil de explicar da CDU.



Os eleitores desconfiam dos Partidos tradicionais e estão cada vez menos disponíveis a votar sem envolvimento e compromisso. Esta fadiga da política tradicional levou muitos eleitores para a abstenção e outros para votos menos convencionais, em particular em Marinho Pinto ou no Livre.



Neste contexto penso que quem primeiro der uma resposta ousada de abertura e envolvimento pode marcar pontos e ajudar a tornar mais saudável a nossa democracia. A ideia das primárias é em si mesmo uma excelente ideia.



Esta ideia aliás constava já da moção de Francisco Assis no Congresso em que se candidatou a Secretário- Geral. Na altura avaliei a ideia como tendo muitas potencialidades e igualmente muitos riscos. O tempo e os resultados eleitorais nas Europeias de 25 de Maio vieram dar razão política à intuição de Francisco Assis.



Estou ciente que um candidato a Primeiro-Ministro do PS sufragado em primárias abertas á sociedade constitui um passo importante para reconciliar os eleitores com os partidos, com a política e com a democracia.

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