Recuperação de Fundo


Portugal tem vindo a desconfinar com serenidade e esperança. As autoridades, aos mais diversos níveis,têm-se esforçado para propor medidas que aliviem o brutal impacto sanitário, económico e social do vírus. O plano de Estabilização apresentado pelo Governo é uma rede de proteção de largo espectro.  Uma esperança legítima é colocada no resultado das negociações para a aprovação do pacote europeu para a recuperação.

A ferida causada pela pandemia não é fácil de sarar, e em muitas pessoas, sectores e territórios ficarão por muito tempo marcas bem vincadas. Temos que trabalhar por uma resposta justa, não apenas para que o tecido económico e social volte a funcionar, mas também para aplicar as opções e escolhas estratégicas necessárias a uma recuperação que signifique desenvolvimento, qualificação, convergênciacompetitividade e justiça social. 

Em 2005 e em 2010 tive oportunidade de, no quadro da estrutura de missão para a Coordenação Nacional do Plano Tecnológico e da Estratégia de Lisboa (CNELPT), politicamente dependente do Primeiro- Ministro e administrativamente da Presidência do Conselho de Ministros (PCM) preparar em articulação com o Governo que integrava e com a rede de pontos focais designados, o Programa Nacional de Apoio ao Crescimento e ao Emprego (Portugal de Novo 2005/2010) e o Programa Nacional de Reformas 2010/2020. Esses programas foram adotados por Resolução do Conselho de Ministros, ouvidos os diferentes atores económicos e sociais. 

Recordo este pedaço sintético de memória histórica para dando testemunho, porque foi um interlocutorcom valor acrescentado em todos os exercícios de planeamento que coordenei, incluindo a Estratégia Nacional de Energia (ENE2020), da enorme capacidade e lucidez da personalidade que o Governo convidou para coordenar a elaboração da proposta de Plano Nacional de Recuperação, sublinhar o papel fundamental que nessa elaboração terá que serdesempenhado pelos atores sociais e económicos e pela sociedade civil.

O Alentejo, em particular, não pode ficar à espera das notícias de Lisboa ou de Bruxelas. Este é o momento de ligar as máquinas do pensamento estratégico e da experiência operacional e definir os projetos que queremos ver integrados no caminho para a nossa recuperação de fundo. Alguns são óbvios, mas para serem bem-sucedidos tem que ser assumidos como desafios regionais partilhados. Enquanto asseguramos o fundo de recuperação somos todos chamados a preparar uma recuperação de fundo.      
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