Férias com programas

Com a aprovação e apresentação no Tribunal Constitucional das listas de candidatos às eleições legislativas de 6 de outubro inicia-se um novo ciclo de escolha democrática em Portugal. Para concorrerem às eleições os partidos e movimentos tem que estar registados, cumprindo as normas para o fazerem, designadamente terem estatutos que não firam os requisitos constitucionais e serem propostos por, pelo menos, 7500 eleitores.

Ao longo do tempo os Partidos e Movimentos, sobretudo os mais tradicionais, foram criando uma identidade percecionada de diferenciação que os colocou no arco político entre a direita e a esquerda. Essa identidade, baseada nos princípios ideológicos e nos valores, passou a constituir, somada aos protagonistas em concreto, a grande referência para a escolha dos eleitores e para determinar as vitórias e as derrotas eleitorais.

Nãquestionando a importância democrática do património histórico e da credibilidade dos protagonistas, considero saudável retomar a boa prática de escrutínio dos programas, quer verificando em que medida cada partido ou movimento foi fiel ao seu programa no mandato que se extingue, quer avaliando a credibilidade e a adequação das propostas e compromissos para o novo mandato.

O Partido Socialista que já tinha inovado no passado com modelos participados de construção do seu programa político, como foram exemplos os Estados Gerais na década de noventa, as Novas Fronteiras ninício do século e o Novo Rumo e a Agenda para a Década antes das legislativas de 2015, voltou agora a lançar um debate de nova geração, baseado em eixos temáticos e prioridades, com sessões públicas e contributos através das redes sociais que culminou com a aprovação de um programa exaustivo e detalhado em compromissos concretos para servir de base à sua candidatura.

De forma mais ou menos aberta e participada, os outros partidos e movimentos desenvolveram também as suas bases programáticas. Quando se entrar no período oficial de campanha apenas as grandes ideias força desses programas tenderão a ter visibilidade. Proponho por isso aos leitores que aproveitem algum do seu tempo de férias para olharem com sentido crítico construtivo para os programas alternativos que são propostos, reforçando a reflexão para uma boa escolha dia 6 de outubro. 

Umas férias a ler programas políticos é algo que não vos desejo. Mas dedicarem umas horas ao aprofundamento da democracia é um investimento de cidadania que julgo fazer sentido. Desejo a todos os que puderem, umas boas férias com programa e já agora, também com programas.
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