Terra de Saber




Embora o nosso Alentejo tenha um peso político diminuto e só eleja oito dos duzentos e trinta deputados na Assembleia da República, os dois principais partidos parlamentares (PSD e PS) escolheram esta região para aqui realizarem as suas Universidades de Verão, conclaves de estudo, reflexão e comunicação fundamentais para o ano político que agora arranca.



O PSD manteve a tradição de fazer a sua Universidade em Castelo de Vide e o PS retomou agora a iniciativa realizada em Évora em 2003, era na altura António José Seguro presidente do seu Gabinete de Estudos, e instalou a sua Universidade nesta bela cidade universitária património da humanidade.



O Alentejo é uma terra em que o ser suplanta o ter. Em que as pessoas e até as paisagens e os costumes têm caracter, força, sabor e saber.



É por isso grande o significado da escolha feita pelo PS e pelo PSD, de em vez de se recolherem em terras de vastas gentes e grandes concentrações, preferirem a quietude do Alentejo para encontrarem os melhores caminhos para o nosso futuro.



A afirmação do Alentejo como terra de saber não é de agora. A história regista as vezes sem fim em que o Alentejo foi palco de guerras e tratados, traições e reconciliações, barbárie e valentia, num espaço de enorme interpenetração de culturas, religiões e raças.



Em muitas crónicas tenho assinalado como o Alentejo, cruzando o Alqueva, Sines, a Aeronáutica, a Energia e outras oportunidades já exploradas ou por explorar, é a joia da coroa da nova etapa do desenvolvimento do nosso País.



Infelizmente sempre que nos governos PS esta visão ganha força, vem um governo de direita retrógrada e conservadora como é exemplo o atual, e tudo fica meio empastelado. Há muito que fica feito, mas o que se adia mata parte do potencial do que se fez.



Mas na nossa terra, coisa que os “universitários” também terão sentido na sua estadia por Évora e Castelo de Vide, temos uma visão mais lata do tempo do que noutros burgos ou territórios. Sabemos esperar para vencer e não desistimos facilmente.



Este ano deixámos fortes mensagens. Para o ano voltaremos a deixá-las. Até que a voz nos doa ou que seja feito o que esta terra merece. Porque esta é uma terra de saber e o saber é o melhor capital para enfrentar os tempos que aí vêm.





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