Perfis Presidenciais




 

Aníbal Cavaco Silva nunca conseguiu desempenhar o papel de árbitro que a nossa constituição reserva ao Presidente da República. Foi sempre mais o Presidente da maioria que o elegeu, em vez de ser o Presidente de todos os portugueses, ainda que tendo por referência o seu programa de candidatura.

 

Não obstante este histórico, confesso que me surpreendeu o seu discurso em que indigitou Pedro Passos Coelho para formar Governo. Não pela indigitação em si mas pelas considerações que lhe juntou. Considerações infelizes e que fraturaram a sociedade portuguesa duma forma a que só me recordo de ter assistido nos tempos do designado PREC em 74/75 do século passado, ou durante a segunda volta das eleições presidenciais que opuseram Mário Soares a Freitas do Amaral.

 

É neste contexto que os portugueses têm que avaliar os perfis presidenciais e tomar a sua decisão sobre quem será Presidente da República a partir do início de 2016. Conheço pessoalmente muitos dos candidatos e sobre eles tenho a melhor das impressões como cidadãos com provas dadas nas suas áreas e como pessoas cultas, bem formadas e preparadas para exercer as altas funções a que se candidatam.

 

Não conhecendo pessoalmente Edgar Costa (candidato da CDU) vou analisar com um pouco mais de detalhe o perfil de Marisa Matias, Sampaio da Nóvoa, Marcelo Rebelo de Sousa e Maria de Belém.

 

Marisa Matias é uma excelente Eurodeputada, empenhada, trabalhadora e consistente na sua ação política. Ainda carece de alguma maturidade e experiência para ser o árbitro que Portugal precisa. Sampaio da Nóvoa é uma grande personalidade do mundo académico e foi um Reitor exemplar. Como Árbitro correrá o risco de acusar a sua falta de experiência política na difícil gestão dos “dossiers” que esperam o próximo Presidente da República. Risco contrário tem Marcelo Rebelo de Sousa. Experiência política não lhe falta, mas o Professor é um generalista com alguma volatilidade. Poderá não ter a consistência necessária para o desafio.

 

 É pública a minha decisão de apoiar a candidatura de Maria de Belém. Afirmo-o aqui não para aproveitar este espaço para fazer propaganda da sua candidatura, mas para que os leitores saibam que a minha apreciação tem um contexto.

 

 De facto, tenho a convicção que se queremos um árbitro para exercer as funções de Presidente da República, com experiência política mas também com forte ligação à sociedade civil e com capacidade para exercer um mandato com valores mas em nome de todos os portugueses, o perfil de Maria de Belém é o que mais se adequa.

 

Talvez existam outros candidatos “melhores” para o PS, ou para a PAF, ou para o BE ou para a CDU. Escaldado pelo exemplo de Cavaco Silva, o que eu escolhi foi o melhor candidato para Portugal. É isso que exorto os meus leitores a procurarem.

 

    

 
Comentários
Ver artigos anteriores...