A Europa está a renascer?

As últimas semanas não têm trazido boas notícias económicas para a Europa e para os Europeus. Um brutal ataque especulativo contra a moeda única obrigou primeiro a reacções avulsas fortemente penalizadoras das economias nacionais. O fracasso evidente dessas reacções avulsas conduziu no entanto a duas atitudes muito positivas por parte da UE, com a criação dum fundo comum de intervenção e com o estabelecimento de regras de articulação orçamental entre os diversos estados membros.
Os factos não deixam dúvidas. Só quando a Europa agiu em conjunto e como um todo, o ataque foi contido e aparentemente controlado. Estamos no entanto num momento crítico e de enorme expectativa sobre os próximos movimentos. Neste contexto aplica-se mais do que nunca a ideia de que mais vale prevenir do que remediar. A Europa tem que continuar a renascer como projecto político se quiser sobreviver como projecto económico.
Neste contexto de renascimento da dimensão política do projecto europeu é muito importante que Portugal tenha assumido em pleno o seu papel como parte integrante da solução.
Aprovando um pacote duro de contenção do deficit público, mas fazendo-o com preocupações de justiça na repartição do esforço e de salvaguarda da rede social e dos investimentos nas escolas, na energia e nos equipamentos de saúde e protecção social, Portugal afirmou uma resposta economicamente credível, mas com uma dimensão política forte.
No meio da tempestade vimos também como ao contrário do que muitos afirmam a gestão dos tempos de acção em Portugal foram os adequados. Só isso nos permitiu ser dos países com menos quebra do PIB em 2009, um dos que primeiro saiu da recessão e agora o País europeu que mais cresceu no primeiro trimestre de 2010 (1% em cadeia e 1,7% em relação ao trimestre homólogo de 2009).
Algumas das medidas necessárias de contenção do deficit terão algum impacto limitador do crescimento. É por isso que em Portugal e na Europa não podem parar os investimentos estruturantes que criam riqueza e geram emprego.
É o caso exemplar do TGV Lisboa -Madrid, cujo troço já adjudicado vai mobilizar 1300 milhões de Euros sendo 600 do Banco Europeu de Investimento e 500 de apoios comunitários. Apenas 200 milhões de euros terão que ser cobertos por fundos públicos ou privados nacionais. Por aqui se percebe o elevado efeito multiplicador dum investimento, que além do mais é absolutamente estratégico, em particular na ligação de mercadorias Sines – Europa, num momento em que legitimamente a China aposta numa recuperação da “rota da seda” através duma rede de comboios de alta velocidade apontados ao coração económico da Europa.
Foi no “renascimento” que abrimos novas rotas ao mundo. Não as fechemos agora, neste novo renascer ainda embrionário, mas decisivo.
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