Persistência

Em tempos difíceis a persistência tem mais valor do que nunca. Persistência não significa teimosia, mas sim convicção e determinação na defesa daquilo em que se acredita, mesmo que essa posição não seja inicialmente maioritária e tenha que se afirmar de forma lenta e progressiva.

A nossa vida política está cheia de exemplos de persistência. Há alguns anos Rui Paulo Figueiredo, promissor jurista e cientista político com quem pude trabalhar directamente na minha passagem pelo Ministério da Administração Interna, escreveu um interessante livro sobre a Persistência em Cavaco Silva, mostrando como foi essa característica que lhe permitiu fazer valer algumas das suas convicções mais profundas. Acredito que daqui a alguns anos, Rui Paulo poderá se assim o entender escrever também, entre outros, um livro sobre a persistência em José Sócrates.

Também no nosso Distrito são múltiplos os exemplos de força e persistência. A capacidade de Vítor Martelo resistir na sua autarquia, modernizando Reguengos durante anos a fio cercado de poderes politicamente hostis constituiu um dos mais fortes capítulos da nossa história de persistência política. Muitas outras histórias de persistência haverão para contar e celebrar, porque esta é uma terra de gente firme e convicta, disseminada por toda a sociedade e por todo o espectro partidário.

Entre essas muitas outras, algumas que conheço e outras de que nem suspeito, avulta sempre a história de persistência que levou Norberto Patinho à Presidência da Câmara Municipal de Portel. Por três vezes Patinho concorreu e por três vezes perdeu, mas a distância foi-se progressivamente reduzindo até que 16 anos de trabalho persistente o levaram à liderança da autarquia na sua quarta tentativa.

A persistência de Norberto Patinho, actual líder da Federação Distrital de Évora do Partido Socialista (cargo em que foi reconduzido por votação directa dos militantes do Distrito nos passados dias 24 e 25 de Outubro) não se esgotou no entanto com o atingir do seu objectivo de liderar o Concelho de Portel. Desde o primeiro momento congeminou uma estratégia de afirmar o Concelho no plano nacional e internacional tendo por base uma das maiores riquezas do Alentejo – o Montado.

Com determinação foi engrandecendo ano após ano a Feira do Montado, reunindo aí decisores, produtores, indústrias complementares como o turismo, a gastronomia ou o artesanato e fazendo de Portel a Capital Nacional do Montado.

Esta estratégia forte e consistente teve o seu culminar com a criação em Portel do Centro Nacional de Valorização do Montado. A Capital Nacional do Montado é agora oficial. Portel e Norberto Patinho bem o merecem! Foi um trabalho de equipa, decidido e persistente que lhes permitiu atingir um objectivo, que beneficia Portel e honra o Alentejo.
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