O que querem os Europeus (e os portugueses)

Um ano antes das próximas eleições europeias, que se realizam em Portugal em 26 de maio de 2019, o Parlamento Europeu realizou e divulgou mais um Euro barómetro sobre o que motiva e o que pensam os europeus. Foram realizadas 27601 entrevistas diretas a pessoas com mais de 15 anos, em todo o território europeu, nos dias 11 e 12 de Abril deste ano. 
Não tenho espaço neste texto de analisar os números em detalhe. Sublinharei no entanto as grandes tendências. Certamente devido ao desanuviamento da situação económica, a tendência em Portugal e no conjunto da União Europeia (UE) é para haver mais gente considerar que a UE é uma coisa boa e que está a caminhar na direção certa. Também os que pensam que a sua voz conta e que por isso é importante votar são agora mais, embora ainda sejam muitos os que consideram o contrário.
Portugal é muito significativamente o País europeu em que mais cidadãos dizem que vão votar nas eleições europeias tendo como um dos objetivos apoiar o seu governo nacional (33%). Em contrapartida, entre os que dizem que não vão votar, os portugueses estão também entre os que mais justificam essa escolha citando entre outros fatores, a desconfiança em relação ao sistema politico (59%). 
É fundamental que as instituições europeias e os governos nacionais tenham em atenção o que querem os europeus nas suas decisões quotidianas, se quiserem fazer com qua haja maior envolvimento dos cidadãos na concretização das políticas e menores taxas de abstenção nas eleições que legitimam a base do processo de construção europeia. 
Considerando as referências feitas nas entrevistas, as prioridades dos portugueses são o combate ao desemprego juvenil (61%), a proteção social (52%) e a economia e crescimento (51%) sendo a luta contra o terrorismo a quarta prioridade (48%). Já para a média dos europeus é a luta contra o terrorismo a primeira prioridade (49%), seguida do desemprego juvenil (48%) e da Imigração (45%).  
Alguns estranharam o foco dado por António Costa à inclusão sustentável no mercado de emprego e no tecido social da nova geração, quer na sua moção de orientação apresentada e aprovada no 22º Congresso do PS, quer nos seus discursos realizados nesse Congresso. O que António Costa fez, na sequência de uma matriz que tem estado presente em toda a governação foi ouvir os portugueses e formular respostas concretas para os seus maiores anseios, ou seja, para a realização dos jovens, para o combate às desigualdades, à desertificação, à inclusão e à convergência do nosso país com os indicadores médios europeus em termos económicos e sociais.
Os políticos não se devem limitar a seguir “a rua”, mas se ficarem surdos ao que nela se diz e pensa, verão definhar a democracia. Não devem por isso ceder à tentação de ignorar os estudos e as análises que eles próprios patrocinaram. Eu não ignoro nem ignorarei.

Comentários
Ver artigos anteriores...