Évora 2027 - Capital Europeia da Cultura?

Quando em junho deste ano o Parlamento Europeu aprovou a distribuição por País das capitais europeias da cultura até 2030 e atribuiu a Portugal a possibilidade de propor uma capital em 2027, formulei de imediato um apelo para que Évora se afirmasse como candidata, marcando posição numa competição que será renhida e em que terá que enfrentar outrascidades com fortes argumentos.

As reações nas redes sociais ao meu apelo foram muito estimulantes. O mesmo não posso dizer do plano político. A candidata do PS à presidência da autarquia associou-se à ideia, mas dos restantes nada se ouviu.

A Câmara Municipal de Évora, assinou em 25 de novembro de 2016, por ocasião da celebração dos 30 anos da elevação do centro histórico a património da humanidade, um protocolo de intenções envolvendo a Universidade de Évora, a Fundação Eugénio de Almeida, a Entidade Regional de Turismo, A Direção Regional da Cultura e a Comissão de Coordenação Regional, mas não teve até agora a capacidade ou a vontade de mobilizar o Concelho e os seus cidadãos para a candidatura.

A letargia de Évora contrasta com a dinâmica de outras cidades como Coimbra, Viana do Castelo, Leiria, Faro e Guarda, que se chegaram à frente, enunciaram planos gerais de ação e anunciarampatronos da candidatura e apoios de personalidades com peso social e cívico relevante.

jogo muda a 1 de outubro, mas temo que o atraso na partida penalize a nossa cidade e o nosso concelho para o futuro. Ser capital europeia da cultura é muito mais do que aceder a uma programação cultural de alto nível, ganhar visibilidade internacional e atrair muitos milhares de turistas de todo o mundo.

Ser Capital Europeia da Cultura é uma oportunidade de ouro para requalificar a cidade e os seus equipamentos e para projetar tudo o que de elevada qualidade aqui é feito, no ensino, na investigação, na indústria, nos serviços, na gastronomia e em tantas outras artes e ofícios em que a nossa cidade é rica de passado e de presente e de que tem que continuar a ser rica no futuro.

Ser Capital Europeia da Cultura é algo importante para Évora, mas que terá um grande impacto em toda a região envolvente, permitindo e exigindo requalificações de estruturas e equipamentos e fomentando investimentos nos Concelhos vizinhos, com os quais aliás será necessário formalizar múltiplas parcerias.  

Ser Capital Europeia da Cultura ajudará a também a renovar a rede hospitalar, a concluir acessibilidades, a melhorar condições de mobilidade e a recuperar de patrimónios de valor histórico e cultural. Ser Capital Europeia da Cultura exige vontade, empenho, visão, entrega, envolvimento e compromisso. De todos, mas primeiro que tudo dos atuais e futuros responsáveis municipais. É tempo. 



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"Cuba Livre" - Sobre o Acordo UE - Cuba

Donald Trump anunciou que vai fechar as portas que Obama tinha aberto para ajudar a reintegrar Cuba na comunidade internacional. Em oportuna reação a mais este retrocesso lamentável da administração americana, o Parlamento Europeu aprovou na sua sessão plenária de 4 de Julho, por larga maioria, um acordo de diálogo político e cooperação entre a União Europeia (UE) e Cuba, que põe fim à designada posição comum” que desde 1996 limitava fortemente as relações entre a UE e aquele País.

O acordo inclui uma dimensão política em que o respeito pelos direitos humanos, o combate ao terrorismo e o desenvolvimento sustentável são definidos como prioridades, uma dimensão de cooperação que envolve a criação de condições para uma maior participação da sociedade civil e uma dimensão comercial que cria as bases para o desenho de um futuro acordo de comércio mais fácil entre as duas partes.

Cuba está agora a dar os primeiros passos para sair do isolamento a que se votou e foi votada no quadro internacional. Hoje continua a ser governada por um regime que está longe de ser livre e democrático. Do meu ponto de vista, não é com ameaças e condenações, mas com respeito da soberania e diálogo franco que podemos influenciar as escolhas da sociedade cubana e aproximá-la das práticas democráticas e de respeito pelos direitos humanos que melhor servem o bem-estardo povo cubano.

Depois de ter sido “colonizada” ideológica e economicamente pelos Estados Unidos primeiro e pela União Soviética depois, a última coisa que os cubanos precisam é de um novo “colonizador”, seja ele americano, chinês, russo ou europeu.

Tendo uma cláusula que estipula a sua suspensão se Cuba violar as disposições relativas aos direitos e garantias, o acordo baseia-se no velho princípio de que “a falar é que as pessoas e os povos se entendem”.

Entre a UE, e em particular os países latinos, a América Latina e as Caraíbas existe uma matriz cultural comum que pode servir de base a um entendimento que ajude a conter as tentativas hegemónicas dos Estados Unidos e da China e a reforçar perspetiva de um mundo multipolar e baseado na cooperação multilateral entre os povos, os territórios e as nações

O acordo aprovado pelo parlamento europeu não liberta Cuba, mas ajuda o seu povo a poder fazer umaescolha e a dar passos nesse sentido. Vejamos que fórmula se vai juntar ao rum “caribenho” na “Cuba Livre” que desejo para o futuro. 


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Gente que faz (Um agradecimento)

Cumpridos três anos de mandato como Deputado no Parlamento Europeu, vou estando cada vez mais embrenhado nos processos concretos de decisão, muitos deles com impacto direto na vida dos cidadãos que represento.

Embora as áreas em que sou mais especializado (o Digital e a Energia) tenham implícita uma forte componente técnica, procuro sempre abordá-las dando prioridade à sua dimensão política, ou seja, aos ganhos que as pessoas podem ter com cada nova decisão tomada no plano das regras ou dos programas aprovados.

Para consolidar esta visão e garantir a inclusão dos valores em que acredito em matérias como a governação da energia na União Europeia, o mercado das telecomunicações, o governo eletrónico, a investigação científica na área do mediterrâneo, a interoperabilidade, a portabilidade, a conectividade digital ou o acesso gratuito dos cidadãos à internet de elevada qualidade, para só citar as matérias em que tenho tido mais responsabilidades diretas nos últimos tempos, é fundamental conhecer o terreno e validar soluções com quem nele atua quotidianamente.

No meu trabalho parlamentar tenho tido a grata satisfação de, para cada caso em concreto, ter podido sempre ter como uma das referências um exemplo ou um caso de sucesso verificado em Portugal. Casos em que estive mais ou menos envolvido, casos que conhecia e casos que desconhecia em absoluto antes de fazer a pesquisa de referências para apoiar o meu trabalho.

Na minha experiência no Parlamento Europeu, o facto de poder ilustrar as minhas ideias e perspectivas com exemplos do meu País, além de ser um enorme orgulho, tem contribuído também para aumentar a credibilidade e a taxa de aprovação das propostas que tenho feito.

Desde o início que tenho procurado reportar, quer nos espaços de opinião como este, quer na “newsletter” que partilho regularmente (a Znews), quer nas redes sociais, informação sobre o que vou fazendo e as razões pelas quais o faço.

Uma coisa é certa. Tudo o que faço só é possível ser feito como é, porque normalmente falo no Parlamento Europeu a partir de exemplos daquilo que já foi ou está a ser concretizado em Portugal, pelos meus concidadãos nas suas empresas, instituições oucomunidades.

Nem sempre é fácil lutar por Portugal e pela Europa, mas muitas portuguesas e muitos portugueses fazem quotidianamente acontecer coisas extraordinárias que impulsionam o País e nos ajudam a conseguir levar a “carta a Garcia” nestes tempos de desafio e incerteza.

A todos eles, assinalando três anos de mandato como seu representante no Parlamento Europeu, o meu profundo e reconhecido obrigado.
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Tragédias (e as suas lições)

Portugal viveu na região centro uma enorme tragédia humana e social. Uma tragédia que me fez lembrar outra, em que por ser na altura o membro do Governo responsável pela proteção e socorro, estive profundamente envolvido  – a queda da ponte Hintze Ribeiro  em  Entre –os – Rios.

O incêndio de Pedrogão e a queda da ponte de  Entre –os –Rios foram provocados por elementos tão diferentes como o fogo e a água, mas tiveram muitas similitudes.Em ambos havia condições no terreno que amplificaram o risco, em ambos houve um fenómeno climático extremo que provocou a projeção das chamas ou a queda da estrutura, em ambos estiveram equipas de bombeiros e da proteção civil que deram tudo o que podiam para evitar a catástrofe e em ambos ficou um rasto de desolação e tristeza que implica um acompanhamento das populações em múltiplas vertentes nos próximos tempos, muito para além do dia em que os holofotes da comunicação social se apagarem.

A resposta económica e social integrada que  foi dada em Castelo de Paiva em 2001 pode servir de inspiração ao que agora deve ser feito para ajudar as populações do pinhal interior a recuperar o seu modo de vida e a vencer a angústia e a tristeza, sem nunca apagar a sua memória.

A queda da Ponte de Entre –os –Rios conduziu também à alteração de um conjunto de práticas, por exemplo na fiscalização das infraestruturas e na extração de areias, que tornaram mais seguras todas as pontes do País. Também neste caso muitas lições serão extraídas e o processo de re-ordenamento florestal será acelerado, agora talvez com mais fácil adesão das populações.  

Escrevi até agora sobre as semelhanças  entre as duas tragédias. Sublinho agora duas diferenças. Todos ouvimos referências a dificuldades de coordenação e conhecimento do terreno no combate ao incêndio. Na minha experiência na Proteção e Socorro, os Governadores Civis desempenharam um papel determinante nesse trabalho de coordenação de proximidade. Se não existissem outras, só estas funções de coordenação  justificavam a existência dos governos civis. Como sempre defendi e cada vez mais se comprova, a  extinção dos governos civis foi um enorme erro.

A segunda diferença, tem  a ver com o comportamento de alguma comunicação social. Em Entre –os –Rios verifiquei um esforço conjugado para informar sem alarmar. Desta vez, vendo tudo do outro lado, senti-me triste por ver que alguns  ansiavam por ter ainda mais coisas tristes para contar. Sinais dos tempos.

As gentes de Castelo de Paiva e dos Concelhos vizinhos ficaram para sempre gravavas no meu coração e no meu pensamento. Tenho agora bem presente o sofrimento das gentes de Pedrogão e dos outros Concelhos afetados pelo grande incêndio. Partilho com eles a minha solidariedade.  Temos que fazer tudo para que tragédias como estas não voltem a acontecer.

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Crise Humanitária - Uma questão global

Entre hoje e 21 de Junho estou a participar em Malta na 33ª Assembleia Paritária ACP – UE (Africa, Caraíbas e Pacífico  União Europeia). Um dos pontos em apreciação é a eminência do continente africano viver a maior fome e crise humanitária dos últimos setenta anos. Segundo a ONU(Organização das Nações Unidas) vinte milhões de pessoas estão a morrer à fome, se considerarmos apenas o Sudão do Sul, a Somália e a Nigéria.


A sociedade global e e sociedade europeia em particular, têm vivido com grande sofrimento e sentido solidário o recrudescer do terrorismo no seu território. Centenas de cidadãos perderam a sua vida nos últimos anos pela ação concertada e cobarde dos que querem destruir o nosso modelo aberto e tolerante de vida em sociedade.


O terrorismo na Europa e no Ocidente mais desenvolvido deve mobilizar -nos a todos para uma resposta forte, mas não nos pode fazer esquecer a tragédia humanitária que está a acontecer noutras zonas do Globo. Trata-se em certa medida de um processo de “terrorismo em massa” a que é preciso pôr cobro?


Muitas são as causas que conduziram ao que está a suceder em África e noutros pontos de globo. As alterações climáticas, as guerras, a exploração desenfreada dos recursos e a corrupção das elites são algumas delas. 


Estas causas não apagam nem anulam no entanto outros dados chocantes. A ONU diz necessitar de 5 mil milhões de dólares para fazer face imediata à catástrofe. Contudo não dispõe dessa verba, que é metade daquilo que Donald Trump anunciou cortar na contribuição dos Estados Unidos da América para as políticas de cooperação. É também apenas 10% do que se diz ser o património de Bill Gates e 1% da riqueza acumulada pelas 8 pessoas mais ricas do mundo (que conforme foi divulgado há alguns meses em Davos, acumulam mais riqueza que a metade mais pobre da população mundial).


É cada vez mais evidente que é preciso inverter o processo de crescimento brutal das desigualdades. O aumento das desigualdades entre as pessoas, as comunidades ou os territórios é o “cancro” da sociedade do século XXI. Multiplica-se de forma exponencial e se não for travado criará uma crise humanitária não apenas em África mas em todo o globo.  Temos que o tratar a tempo. Apoiar de imediato quem precisa e reduzir as desigualdades para evitar recidivas. Não podemos continuar a hesitar nesta agenda de sobrevivência para o mundo em que vivemos. 


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Turismo - Um Outro Olhar

O Turismo, nas suas múltiplas formas e variantes, é um sector que se tem vindo a desenvolver muito à escala global, nacional, regional e local, apoiado na maior facilidade de transportes e no aumento exponencial das pessoas no planeta com vontade e recurso de conhecerem novas paragens, novos costumes e viverem novas experiências. 

Em Portugal, e no Alentejo em particular, a procura turística tem vindo a subir de forma sustentada, dando um contributo cada vez mais relevante para a dinâmica da economia e o equilíbrio das contas públicas.  

Como em tudo, o desenvolvimento turístico ganhará em ser feito com conta, peso e medida, sem ganância e sem arriscar matar aqui ou ali a “galinha dos ovos de ouro”. Um turismo sustentável é aquele que se integra na vida quotidiana das comunidades e não aquele que as expulsa ou descaracteriza. 

O turismo já tem e poderá ter ainda mais relevo como uma atividade amiga da paz e da concórdia entre os povos, criada através do conhecimento e do respeito pela diversidade cultural e da afirmação das identidades que são a maior mais valia do produto turístico diferenciado.

Permitam-me uma analogia para tornar mais clara a minha ideia. Os estudos de opinião mostram que entre os jovens europeus que fizeram o programa Erasmus (parte da sua formação numa universidade de outro outro país europeu que não o seu país de origem) existe uma maior propensão para defender o projeto europeu e para valorizar a sua diversidade e contributo para a paz e compreensão entre os povos da Europa.

Isto também se aplica aos muitos milhões de cidadãos que em cada ano viajam para outro País ou continente em atividade de lazer, nas suas múltiplas dimensões. Ficam a conhecer melhor os territórios, o património mas também os povos que os acolhem

Quem acolhe também acrescenta à sua vida uma experiência rica de diversidade de práticas, culturas e formas de estar na vida.  

Numa globalização tornada irreversível pelas novas tecnologias de comunicação e de transporte de dados, capitais, mercadorias e pessoas, importa puxar pelos fatores que a podem tornar mais pacífica, gerando uma consciência global menos favorável aos conflitos e mais aberta à aceitação e à compreensão da diferença

Neste sentido, o turismo, pelo conhecimento cruzado que promove e pelos meios de vigilância que mobiliza,não é apenas uma condição para dinamizar a economia, criar emprego e promover as culturas e os costumes. É também um contributo para a paz no mundo.
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